Generate the Evidence to Change the Response: People Who Use Drugs and HIV in Latin America

For many years, people who use drugs in Latin America were largely invisible in the regional response to HIV. Despite facing criminalization, stigma, institutional violence, and significant barriers to accessing health services, we were rarely  recognized as a Key Population in public policies, national programs, or within the decision-making spaces of the Global Fund (GF). The Latin American and Caribbean Network of People Who Use Drugs (LANPUD) was founded as a direct response to this exclusion:  a network built by and for people who use drugs to defend our fundamental rights.

By Ernesto Cortés Amador, Executive Director Costa Rican Association on Drug Studies and Interventions (ACEID), Secretariat Latin American Network of People Who Use Drugs (LANPUD), INHSU Board member, and member of the INHSU Latin American Workgroup. Scroll down for Portugese and Spanish versions of this article.

A turning point came in 2019, when LANPUD was invited to join the GF Positive Leadership Alliance (ALEP) multi-country grant. This regional alliance brought together networks of people living with HIV and key populations from 11 Latin American countries (Bolivia, Colombia, Costa Rica, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua, Paraguay, Panama, and Peru). Through this collaboration, LANPUD strengthened its membership, expanded community participation, and began to bring the needs and demands of people who use drugs to the forefront of regional discussions on HIV, harm reduction, and human rights.

As part of this process, LANPUD conducted an assessment of the inclusion of People Who Use Drugs (PWUD) in the GF mechanisms. They found that in none of the 11 eligible countries was there representation of drug users within the Country Coordinating Mechanisms (CCM). This revealed a significant contradiction: although the GF is a main funder of harm reduction strategies worldwide, , people who use drugs in Latin America remain largely excluded from decision-making spaces that determine funding, priorities, and public policies related to HIV.

This reality is rooted in a history of exclusion. Most international funding for harm reduction has focused on injected drugs and opioids, practices that are relatively uncommon in much of Latin America. As a result, the HIV response has neglected people who do not inject or who use stimulants such as cocaine, crack, or methamphetamine, despite the vulnerabilities, stigma, and barriers to healthcare that we face. This has created a cycle of invisibility: without epidemiological data, there is no funding, and without funding, there is no participation or capacity to generate the necessary evidence.

To address this gap, LANPUD leveraged the GF project to build its own evidence base through  Community-Led Monitoring (CLM). Alongside other regional networks of key populations, it conducted studies on Violence, Stigma, and Discrimination (VSD) in eight countries, documenting how discrimination impacts access to health, education, employment, and social participation, especially for trans women and other highly vulnerable populations. LANPUD also coordinated a regional study on the rights of people living with HIV and people who use drugs  in 10 Latin American countries (Bolivia, Costa Rica, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua, Paraguay, Panama, and Peru), with studies underway in three more (Colombia, Mexico, and Argentina).

The study analyzed the protection of the right to non-discrimination, health, and freedom from arbitrary detention, highlighting how criminalization and stigma continue to keep many people away from health services and even interrupt access to antiretroviral treatment. Shadow reports have also been submitted to the Committee on Economic, Social,l and Cultural Rights (CESCR) on reviews in countries such as Honduras, El Salvador, Guatemala, Brazil, Uruguay, and Mexico, again highlighting the systematic violation of the right to health and the persistence of institutional policies and practices that fall short of international human rights standards.

Yet, this progress is unfolding in an increasingly complex context. Global reduction in funding for HIV and harm reduction threatens the sustainability of many community-led responses in the region. Simultaneously,  Latin America is experiencing a new harsher of penalties, militarization, and war-on-drugs rhetoric, further deepening the criminalization and violence faced by people who use drugs, especially young women, trans people, people experiencing homelessness, and historically excluded communities.

In response, LANPUD is advancing a regional strategy that combines community-led evidence generation,  international advocacy, organizational strengthening, and strategic litigation. The goal is not only to influence the GM and its mechanisms, but also to develop systems for  ms for documentation, reporting, monitoring, and reparation, laying the groundwork for a structural transformation of drug policies, grounded in public health, harm reduction, social justice, and meaningful community participation.

Portugues: Gerar a Evidência para mudar a Resposta: Pessoas que usam drogas e HIV na América Latina

Por Ernesto Cortés Amador

Diretor Executivo da Associação Costarriquenha de Estudo e Intervenção em Drogas (ACEID),

Secretariado da Rede Latino-Americana e do Caribe de Pessoas que Usam Drogas (LANPUD)

Membro do Conselho Diretor da INHSU e do Grupo de Trabalho Latino-Americano da INHSU.

Durante muitos anos, as pessoas que usam drogas na América Latina foram amplamente invisibilizadas na resposta regional ao HIV. Apesar de enfrentarem criminalização, estigma, violência institucional e barreiras significativas ao acesso aos serviços de saúde, raramente éramos reconhecidos como População-Chave  em políticas públicas, programas nacionais ou nos espaços de decisão do Fundo Global (FG). A Rede Latino-Americana e Caribenha de Pessoas que Usam Drogas (LANPUD) foi fundada como uma resposta direta a essa exclusão: uma rede construída por e para pessoas que usam drogas para defender nossos direitos fundamentais.

Um ponto de virada ocorreu em 2019, quando a LANPUD foi convidada a integrar o subsídio de múltiplos países da Aliança de Liderança Positiva (ALEP) do Fundo Global. Essa aliança regional reuniu redes de pessoas vivendo com HIV e populações-chave de 11 países latino-americanos (Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Paraguai, Panamá e Peru). Por meio dessa colaboração, a LANPUD fortaleceu sua membresia, ampliou a participação comunitária e começou a colocar as necessidades e demandas das pessoas que usam drogas no centro dos debates regionais sobre HIV, redução de danos e direitos humanos.

Como parte desse processo, a LANPUD realizou uma avaliação sobre a inclusão de Pessoas que Usam Drogas (PUD) nos mecanismos do Fundo Global. Descobriu-se que em nenhum dos 11 países elegíveis havia representação de usuários de drogas nos Mecanismos de Coordenação de País (CCM). Isso revelou uma contradição significativa: embora o Fundo Global seja um dos principais financiadores de estratégias de redução de danos em todo o mundo, as pessoas que usam drogas na América Latina permanecem amplamente excluídas dos espaços de tomada de decisão sobre financiamento, prioridades e políticas públicas relacionadas ao HIV.

Essa realidade está enraizada em um histórico de exclusão. A maior parte do financiamento internacional para redução de danos tem sido destinada ao uso de drogas injetáveis e opioides, práticas relativamente incomuns em grande parte da América Latina. Como resultado, a resposta ao HIV negligenciou pessoas que não injetam ou que usam estimulantes como cocaína, crack ou metanfetamina, apesar das vulnerabilidades, do estigma e das barreiras ao cuidado em saúde que enfrentamos. Isso criou um ciclo de invisibilidade: sem dados epidemiológicos, não há financiamento, e sem financiamento, não há participação ou capacidade para gerar as evidências necessárias.

Para enfrentar essa lacuna, a LANPUD utilizou o projeto do Fundo Global para construir sua própria base de evidências por meio do Monitoramento Comunitário (CLM). Junto a outras redes regionais de populações-chave, realizou estudos sobre Violência, Estigma e Discriminação (VSD) em oito países, documentando como a discriminação impacta o acesso à saúde, educação, emprego e participação socia, especialmente para mulheres trans e outros grupos altamente vulneráveis. A LANPUD também coordenou um estudo regional sobre os direitos de pessoas vivendo com HIV e pessoas que usam drogas (PLUD) em 10 países latino-americanos (Bolívia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Paraguai, Panamá e Peru), com estudos em andamento em mais três (Colômbia, México e Argentina).

O estudo analisou a proteção dos direitos à não discriminação, à saúde e à liberdade de detenção arbitrária, destacando como a criminalização e o estigma continuam afastando muitas pessoas dos serviços de saúde e até interrompendo o acesso ao tratamento antirretroviral. Relatórios-sombra também foram apresentados ao Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (CESCR) em revisões de países como Honduras, El Salvador, Guatemala, Brasil, Uruguai e México, novamente ressaltando a violação sistemática do direito à saúde e a persistência de políticas e práticas institucionais que não atendem aos padrões internacionais de direitos humanos.

No entanto, esse progresso ocorre em um contexto cada vez mais complexo. A redução global do financiamento para HIV e redução de danos ameaça a sustentabilidade de muitas respostas lideradas por comunidades na região. Simultaneamente, a América Latina vive uma nova onda de endurecimento penal, militarização e retórica da “guerra às drogas”,  aprofundando ainda mais a criminalização e a violência contra pessoas que usam drogas, especialmente mulheres jovens, pessoas trans, pessoas em situação de rua e comunidades historicamente marginalizadas.

Nesse cenário, a LANPUD está avançando com uma estratégia regional que combina geração de evidências lideradas pela comunidade, advocacia internacional, fortalecimento organizacional e litígio estratégico. O objetivo não é apenas influenciar o Fundo Global e seus mecanismos, mas também desenvolver sistemas de documentação, denúncia, monitoramento e reparação,  estabelecendo as bases para uma transformação estrutural das políticas de drogas, fundamentada em saúde pública, redução de danos, justiça social e participação comunitária significativa.

Espanol: Generar la Evidencia para cambiar la Respuesta: Personas que usan drogas y VIH en América Latina

Por Ernesto Cortés Amador

Director Ejecutivo Asociación Costarricense de Estudio e Intervención en Drogas (ACEID),

Secretariado Red Latinoamericana y del Caribe de Personas que Usan Drogas (LANPUD)

Miembro Junta Directiva INHSU y del Grupo de Trabajo Latinoamericano INHSU.

Durante muchos años, las personas que usan drogas en América Latina fueron prácticamente invisibles en la respuesta regional al VIH. A pesar de enfrentar criminalización, estigma, violencia institucional y barreras significativas para acceder a los servicios de salud, rara vez fuimos reconocidos como Población Clave en políticas públicas, programas nacionales o en los espacios de decisión del Fondo Mundial (FM). La Red Latinoamericana y del Caribe de Personas que Usan Drogas (LANPUD) nació precisamente como respuesta a esa exclusión: una red construida por y para personas que usan drogas para defender nuestros derechos fundamentales.

Un punto de inflexión llegó en 2019, cuando LANPUD fue invitada a sumarse a la subvención de múltiples países de la Alianza de Liderazgo Positivo (ALEP) del Fondo Mundial. Esta alianza regional reunió redes de personas que viven con VIH y poblaciones clave de 11 países latinoamericanos (Bolivia, Colombia, Costa Rica, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua, Paraguay, Panamá y Perú). A través de esta colaboración, LANPUD fortaleció su membresía, amplió la participación comunitaria y comenzó a poner las necesidades y demandas de las personas que usan drogas en el centro de los debates regionales sobre VIH, reducción de daños y derechos humanos.

Como parte de este proceso, LANPUD realizó una evaluación sobre la inclusión de Personas que Usan Drogas (PqUD) en los mecanismos del Fondo Mundial. Se descubrió que en ninguno de los 11 países elegibles había representación de usuarios de drogas en los Mecanismos de Coordinación de País (CCM). Esto evidenció una contradicción significativa: aunque el Fondo Mundial es uno de los principales financiadores de estrategias de reducción de daños a nivel global, las personas que usan drogas en América Latina siguen estando en gran medida excluidas de los espacios de toma de decisiones sobre financiamiento, prioridades y políticas públicas relacionadas con el VIH.

Esta realidad tiene raíces en una historia de exclusión. La mayor parte del financiamiento internacional para reducción de daños se ha enfocado en el uso de drogas inyectables y opioides, prácticas relativamente poco comunes en gran parte de América Latina. Como consecuencia, la respuesta al VIH ha descuidado a las personas que no se inyectan o que usan estimulantes como cocaína, crack o metanfetamina, a pesar de las vulnerabilidades, el estigma y las barreras al cuidado de la salud que enfrentamos. Esto ha creado un ciclo de invisibilidad: sin datos epidemiológicos, no hay financiamiento, y sin financiamiento, no hay participación ni capacidad para generar la evidencia necesaria.

Para enfrentar esta brecha, LANPUD aprovechó el proyecto del Fondo Mundial para construir su propia base de evidencia a través del Monitoreo Comunitario (CLM). Junto con otras redes regionales de poblaciones clave, realizó estudios sobre Violencia, Estigma y Discriminación (VSD) en ocho países, documentando cómo la discriminación impacta el acceso a la salud, la educación, el empleo y la participación social, especialmente para mujeres trans y otros grupos altamente vulnerables. LANPUD también coordinó un estudio regional sobre los derechos de personas que viven con VIH y personas que usan drogas  en 10 países latinoamericanos (Bolivia, Costa Rica, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua, Paraguay, Panamá y Perú), con estudios en curso en tres más (Colombia, México y Argentina).

El estudio analizó la protección de los derechos a la no discriminación, la salud y la libertad frente a la detención arbitraria, destacando cómo la criminalización y el estigma siguen alejando a muchas personas de los servicios de salud e incluso interrumpiendo el acceso al tratamiento antirretroviral. También se presentaron informes sombra al Comité de Derechos Económicos, Sociales y Culturales (CESCR) en revisiones de países como Honduras, El Salvador, Guatemala, Brasil, Uruguay y México, resaltando nuevamente la violación sistemática del derecho a la salud y la persistencia de políticas y prácticas institucionales que no cumplen con los estándares internacionales de derechos humanos.

Sin embargo, estos avances se dan en un contexto cada vez más complejo. La reducción global del financiamiento para el VIH y la reducción de daños amenaza la sostenibilidad de muchas respuestas comunitarias en la región. Al mismo tiempo, América Latina atraviesa una nueva ola de endurecimiento penal, militarización y retórica de la “guerra contra las drogas”, profundizando aún más la criminalización y la violencia contra las personas que usan drogas, especialmente mujeres jóvenes, personas trans, personas en situación de calle y comunidades históricamente marginadas.

En este contexto, LANPUD está impulsando una estrategia regional que combina la generación de evidencia comunitaria, la incidencia internacional, el fortalecimiento organizacional y el litigio estratégico. El objetivo no es solo influir en el Fondo Mundial y sus mecanismos, sino también desarrollar sistemas de documentación, denuncia, monitoreo y reparación, sentando las bases para una transformación estructural de las políticas de drogas, basada en la salud pública, la reducción de daños, la justicia social y una participación comunitaria significativa.

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